Manchete
Indústria naval gaúcha começa a dar sinais de vida
A notícia reflete volume de investimentos federais no setor nos últimos anos

Depois de mais de uma década, a indústria naval no Estado finalmente começa a dar sinais de recuperação, a exemplo do que vem ocorrendo no restante do País. A mudança de cenário local se concentra no Porto de Rio Grande, onde dois grandes estaleiros deverão ser construídos. Neste lugar também ocorrerá a construção dos módulos da Plataforma 53 (P-53) da Petrobras.
A proposta da Secretaria Estadual do Desenvolvimento e dos Assuntos Internacionais (Sedai) é basicamente atrair investimentos para o porto. O estímulo ao setor também é reflexo de medidas promovidas pelo governo federal, que investiu R$ 1,5 bilhão nos últimos 30 meses, valor que deve chegar a R$ 2,5 bilhões até o ano que vem.
Nos âmbitos estadual e nacional, os principais negócios se relacionam à Petrobras. A estatal contratou os serviços da Cordoaria São Leopoldo para a confecção de cabos de ancoragem para as obras da Plataforma 54. Além disso, será numa área do Porto de Rio Grande – o chamado Porto Novo – o canteiro de obras para a construção dos módulos da P-53.
O trabalho será realizado pelo consórcio Queiroz Galvão, Ultratec e Iesa, com valor na ordem de U$ 370 milhões – o investimento total para a P-53 é de U$ 522 milhões. A Transpetro também abriu processo de concorrência pública para a construção de 22 navios petroleiros. Entre as empresas pré-qualificadas para a seleção, estão as duas que pretendem se instalar no Porto de Rio Grande, o Consórcio Rio Grande (Aker Promar, Queiroz Galvão e Aker) e a Estaleiro Rio Grande.
O secretário estadual do Desenvolvimento e dos Assuntos Internacionais, Luís Roberto Andrade Ponte, lembra que o Estado já teve uma indústria naval razoável, na época do Estaleiro Só, em Porto Alegre, que atingiu seu auge de produção na década de 70 e entrou em declínio no início dos anos 80. A proposta atual também visa a desenvolver um pólo de indústria naval no Porto de Rio Grande.
Ponte salienta que a vinda dos dois estaleiros foi viabilizada por meio de benefícios como a isonomia fiscal. Ele explica que qualquer navio inscrito no Registro Especial de Barcos (REB) estará isento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) quando sair do estaleiro. O secretário acrescenta que o governo pretende licitar a contratação de serviços de dragagem do canal do porto para manter a facilidade do acesso.
O titular do Sedai calcula que os dois estaleiros vão gerar 7,5 mil empregos diretos e cerca de 25 mil empregos indiretos no Estado, sem levar em conta o período das obras. Em nota encaminhada pela assessoria de imprensa, o superintendente do Porto de Rio Grande, Vidal Áureo Mendonça, observou que atualmente, de Buenos Aires, Argentina, ao Rio de Janeiro, não existem estaleiros para grandes embarcações. Por essa razão, a vinda dos dois empreendimentos será de grande importância para a rota do Mercosul.


Reportagem Especial

Transpetro mobiliza estaleiros

Por enquanto, os dois empreendimentos aguardam a liberação das áreas no Porto de Rio Grande. O Consórcio Rio Grande (Aker Promar, Queiroz Galvão e Aker) será instalado no Porto Novo, no mesmo local onde funcionará inicialmente o canteiro de obras para os módulos da Plataforma 53 (P-53), da Bacia de Campos, Rio de Janeiro. O futuro Estaleiro Rio Grande irá funcionar no Super Porto.
As duas áreas já foram repassadas pelo Governo Federal à Superintendência do Porto. O consórcio está em processo de viabilização mais adiantado. O empreendimento vai ocupar um espaço maior, gerando 5 mil empregos diretos, mais 20 mil indiretos, na região. No caso do Estaleiro Rio Grande, serão 2,5 mil empregos diretos e 5 mil indiretos.
O processo de licitação para a construção dos 22 navios novos da Transpetro, empresa de transportes do Sistema Petrobras, para o qual as duas empresas já estão pré-qualificadas, terá uma importante influência na instalação dos estaleiros. O engenheiro responsável pela construção do Estaleiro Rio Grande, Roberto Dieckmann, explica que o ritmo das obras do empreendimento será mais rápido se a empresa vencer a concorrência pública. Apesar disso, o engenheiro explica que a área atende aos interesses da organização por possuir uma infra-estrutura conveniente para a construção das embarcações. Ele estima que, até o final de 2006, o estaleiro já esteja em funcionamento.


Reportagem Especial

Navegação interna cresce mais

O transporte hidroviário para navegação interna vem ganhando adesão maior por parte de alguns setores empresariais. A mudança é constatada inclusive pelo consultor técnico da Associação Brasileira de Terminais Portuários e coordenador do Grupo de Portos e Hidrovias do Conselho de Infra-estrutura da Fiergs, Paulo Duarte. Ele observa que o cenário atual é propício para o surgimento de novos estaleiros pequenos. Duarte aponta como fatores que contribuem para essa nova realidade o pedágio caro das rodovias e o aumento da produção de setores industriais, como petroquímica, grãos, celulose e fertilizantes.
A mudança positiva é comprovada pelo estaleiro Navegação Aliança, do município de Taquari. O gerente operacional da empresa, Ático Scherer, avalia que o mercado melhorou nos últimos 10 anos, pois a empresa dobrou o seu faturamento anual, que agora é de R$ 40 milhões. Em Canoas, a Cooperativa dos Metalúrgicos de Canoas (CTMC) produz o casco de um navio para a Guarita Navegações, de Triunfo. O gerente comercial da CTMC, Ricardo Lang, explica que, em 2003, a cooperativa decidiu explorar o mercado naval devido ao seu visível crescimento e ao pouco número de opções no Estado para quem desejasse construir uma embarcação.
Outro caso significativo é o da Atlantis Agência Marítima, que opera no Rio Grande do Sul desde janeiro. O diretor Ricardo Lazzarotto observa que, com a queda do dólar e a conseqüente redução das exportações, a empresa passou a investir mais em fretes no interior (do Pólo Petroquímico até o Porto de Rio Grande, por exemplo). As atividades da agência nesta área aumentaram de cerca de 2% para 10% nos últimos dois meses.
Paulo Duarte, por outro lado, fala da urgência da dragagem nos canais do Porto de Rio Grande e do Rio Gravataí, na região metropolitana, para que não surjam problemas que emperrem o crescimento do setor. Outros entraves são apontados. O gerente de logística da Frangosul, Osmar Herzer, alerta que o transporte hidroviário ainda é limitado, pois privilegia transportes de grãos em detrimento de embarcações especiais para contêineres de outros produtos. Além disso, ele analisa que o modal hidroviário só poderá tornar-se competitivo se conseguir garantir periodicidade de transporte, o que ainda não ocorre devido ao alto custo.
O diretor-presidente da Transcontinental e consultor para assuntos de Transportes Internacionais da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Plínio Fracaro, salienta que a indústria coureiro-calçadista acaba optando pelo frete por rodovias até o Porto de Rio Grande, justamente por não haver embarcações com atendimento regular.


Reportagem Especial

Investimentos federais buscam gerar empregos

De acordo com o secretário de Fomento do Ministério dos Transportes, Sérgio Bacci, o governo federal, nos últimos 30 meses, investiu R$ 1,5 bilhão na indústria naval do País. A meta, até o final de 2006, é chegar aos R$ 2,5 bilhões. “Nos oito anos do governo anterior, foi investido apenas R$ 1 bilhão”, comparou.
Bacci diz que a principal razão do estímulo para o setor é a geração de empregos. O secretário explica que a construção naval é mais complexa e isso impede que a mão-de-obra seja substituída por robôs na parte de soldagem, como ocorreu, por exemplo, com a indústria automobilística. Ele garante que os resultados já são visíveis, declarando que, nos últimos dois anos, o número de funcionários na indústria naval saltou de 12,5 mil para cerca de 25 mil no Brasil. “A idéia é chegar a 35 mil até final deste governo”, revela.
Os objetivos, entretanto, não se resumem à geração de postos de trabalho. O secretário também fala em reinserir o Brasil no mercado internacional – o País já ocupou o segundo lugar na produção mundial de navios. “Atualmente, estamos em nono lugar”, diz. O secretário vislumbra a possibilidade do País chegar à quinta posição em face do cenário mundial. Ele argumenta que os maiores construtores mundiais – China, Japão e Coréia – estão com as carteiras ocupadas até 2009, o que abre uma brecha no mercado para outros países. “Com os grandes estaleiros tomados, o Brasil pode ser uma opção.”


Reportagem Especial

Cordoaria festeja medidas

Uma das empresas mais satisfeitas com os investimentos da União na área da indústria naval é a Cordoaria São Leopoldo. O gerente comercial Valdeci Ribeiro de Freitas não esconde o entusiasmo e elogia o atual governo, salientando que o reaquecimento do setor ocorreu nos últimos dois anos e meio. O principal produto da Cordoaria é o cabo de ancoragem, que vem representando de 60% a 70% do faturamento da empresa nos últimos quatro anos. Freitas explica que, desde 1995, a indústria se especializa neste segmento, tornando-se a única fabricante na América Latina.
O empenho da Petrobras em conseguir a auto-suficiência na extração de barris de petróleo trouxe a oportunidade para a empresa leopoldense fechar bons negócios, uma vez que esta mantém parceria com a estatal. Em fevereiro, a Cordoaria obteve a aprovação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para um financiamento de US$ 3,45 milhões, visando a produção e exportação dos cabos de ancoragem em poliéster da Plataforma 54 da Petrobras (P-54), da Bacia do Roncador, em Campos, Rio de Janeiro.
A concessão dos recursos foi definida no âmbito da Linha Pré-Embarque com repasse via Banco do Brasil. Conforme informações no site do BNDES, em 2003 a Cordoaria São Leopoldo já realizou outras duas operações pela mesma linha e que totalizaram US$ 8 milhões. A Cordoaria São Leopoldo fabrica mensalmente 300 toneladas de diversos cabos, cordas e fios. O material é utilizado inclusive em plataformas do Mar do Norte, do Golfo do México, da Índia, do Golfo Pérsico e do Extremo Oriente.


Geral

Um domingo de gala na dança clássica
Primeira bailarina do SemperOper da Alemanha se apresenta esta noite na PUC

A bailarina leopoldense Leslie Heylmann encerra hoje a série de três apresentações no Estado ao lado de grandes intérpretes do repertório clássico. Ela é convidada especial do Ballet em Noite de Gala. O espetáculo começa às 19 horas, no Salão de Atos da PUC (Avenida Ipiranga, 6681, Prédio 4, em Porto Alegre). Os ingressos, que podem ser adquiridos até a lotação do teatro, custam 15 reais (platéia) e 10 reais (mezzanino). Ballet em Noite de Gala é uma produção do Ballet Concerto, dirigido pela mestre da dança Victoria Milanez, e uma realização do Instituto de Cultura Musical da PUC/RS.
Leslie, que é primeira bailarina do SemperOper, Dresden, na Alemanha, se apresentou na quarta-feira em São Leopoldo e na sexta-feira em Novo Hamburgo. Além de Leslie, vão para cena o cubano Ordep Chacon, primeiro solista do SemperOper; Marlúcia do Amaral, protagonista da companhia alemã Meinz Ballet; e os solistas brasileiros Alexandre Rittmann e Aline Garcia. Completa o elenco o corpo de baile do Ballet Concerto. Em resumo: o palco vai contar com três grandes bailarinos, sendo duas gaúchas (Leslie e Marlúcia), de reconhecimento internacional.
No programa, o público poderá assistir diferentes obras de balé clássico de repertório. A noite abre com uma suíte do ballet Raymonda, coreografia em que Marlúcia volta a contracenar com o bailarino Rittmann, ele vencedor do Prêmio Açorianos de melhor bailarino em 1994 e 97, e melhor coreografia em 2002, pelo contemporâneo Grand Genet. Na segunda parte, Leslie e Chacon se apresentem em La Fille Mal Gardée (A Filha Mal Guardada), que também faz parte do repertório do Ballet Dresden. Para fechar a noite, uma série de pas-de-deux, troix e conjuntos, que sintetizam parte da história do ballet clássico, completam as atrações.


Geral

São Leopoldo em ritmo de alegria
Festa no Largo Rui Porto começou na sexta-feira e movimenta a cidade até dia 25

A São Leopoldo Fest 2005, que começou na noite de sexta-feira com show de Fábio Júnior, abriu neste sábado as portas no primeiro dia inteiro de atrações. Apesar do tempo instável, a comunidade pôde começar a conferir uma mostra do que será a grande animação pelos 181 anos da imigração alemã, comemorados no berço da colonização germânica. O evento embala os leopoldenses e também visitantes de toda a região sempre a partir das 11 horas, com atrações no Largo Rui Porto (Avenida Dom João Becker, Centro). A idéia é colocar todo o município em clima de celebração até o dia 25 de julho, quando encerra a festa. Desde a abertura, até as 18 horas de ontem, conforme a organização do evento, cerca de 20 mil pessoas haviam passado pela área festiva. O ingresso para entrar na área do Largo custa 2 reais por pessoa. Também há atividades na Rua Grande (Rua Independência) com algumas “casinhas” oferecendo o melhor da gastronomia da Alemanha e do Brasil.
Coube ao Ballet Sinos, que está completando 30 anos de história, abrir as apresentações do sábado ao lado do grupo de dança sênior Die Freunde. Diversas bandas locais de MPB e pop rock também se apresentaram. Já fora dos palcos, uma bandinha típica ditava o ritmo da festa em meio aos estandes.
Para o secretário da Cultura, José Martins, a chuva causa transtornos, mas não impede a festa. “Tivemos que transferir o desfile sobre a História de São Leopoldo, que iria ocorrer no bairro São Borja. Vamos encontrar outra data para a atividade.” Comidas saborosas e muita diversão, com direito a baile nos embalos de uma bandinha ou mesmo das bandas de rock, são a marca da festa. Para a servidora pública Maria Clari Serafin da Silva, a São Leopoldo Fest é ótima. “Estou há 17 anos na prefeitura e sempre presente no evento, unindo trabalho e diversão, saboreando uma culinária excelente.” Já a estudante Luciane Moreira Gomes, 23 anos, curte o evento pela primeira vez. “É uma iniciativa interessante. Gosto das comidas típicas da Alemanha e será bom conferir alguns shows, principalmente os de reggae.”


Geral

Música erudita toma conta de São Leopoldo
Festival de Inverno da Unisinos se inicia hoje, com concerto no Auditório Padre Werner

Uma semana ao som de música clássica, em salas universitárias, auditórios e até escolas municipais. É assim a programação do 4.º Festival de Inverno da Unisinos, que se inicia hoje e vai até o próximo domingo, em São Leopoldo. O evento reúne professores e músicos de instrumentos de corda (violão, viola, violino, violoncelo e contrabaixo) e sopro (trompete, trombone, clarinete, saxofone, oboé, trompa e flauta), além de regentes de coral e orquestra. Ao todo, serão 14 cursos, além de oficina de musicalização para educadores e crianças. Para a comunidade, estão previstas apresentações com entrada franca.
A maior parte da programação ocorrerá na antiga sede da universidade, na Rua Brasil, 725, Centro. A abertura, no entanto, será no Auditório Padre Werner, no câmpus da Unisinos (Avenida Unisinos, 950), com início às 19 horas de hoje. O concerto estará a cargo da Orquestra Unisinos, tendo como regente o maestro Roberto Duarte e como solista o violonista gaúcho Fábio Shiro Monteiro, radicado na Alemanha desde a década de 70. Um ônibus gratuito parte para a apresentação às 18h30, de frente da antiga sede.
O concerto de hoje, que tem duração prevista de 90 minutos, tem na programação as obras Divertimento II, de Bruno Kiefer (compositor homenageado nesta edição); A Gruta de Fingal, de Felix Mendelssohn Bartoldy; Concertino n.º1 para Violão e Orquestra, de Radamés Gnattali, e a Sinfonia n.º2, de Franz Schubert. Para amanhã, está previsto o concerto do Movimento Coral Unisinos, no auditório da antiga sede da universidade. Na terça-feira, às 20 horas, haverá um colóquio sobre Bruno Kiefer, também na antiga sede.
Ao longo do festival, quatro concertos e onze recitais têm entrada franca. O Festival de Inverno na comunidade ocorre de terça a sexta-feira, sempre às 11 horas, em quatro escolas municipais de São Leopoldo. Os recitais apresentados por alunos e professores do festival estão programados de quarta a sexta-feira, sempre às 20 horas.
Os alunos farão recitais de quarta-feira a sábado, às 17h30. No sábado haverá ainda o concerto do módulo de Regência Orquestral e Coral, às 20 horas. Durante a semana, todas as apresentações ocorrerão no auditório da antiga sede da Unisinos. No próximo domingo, a programação volta ao Anfiteatro Padre Werner. Será a vez do concerto de encerramento, apresentado por alunos e professores, às 11 horas.
Já os cursos, cujas inscrições se encerraram na última semana, ocorrerão das 9 às 12 e das 14 às 17 horas. Entre os professores, estão profissionais de vários Estados brasileiros, além da Alemanha, Inglaterra, Argentina e Uruguai. “Nós também temos alunos de todo o Brasil e alguns do exterior,” comentava, sexta-feira, a coordenadora Cultural da Unisinos, Lúcia Paz, encar- regada também da coordenação do festival.


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Tese polemiza o Aqüífero Guarani
Geólogo na Unisinos sustenta que reservas subterrâneas de água no Estado são 40% inferiores ao que se previa

O Aqüífero Guarani, aquele lençol de água gigantesco que se imaginava sob os territórios do Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, não existe. Não como um bloco único. Na realidade, ele é formado por vários aqüíferos, com quantidade e qualidade de água distintos, e com um volume total bem inferior ao que se acreditava. Pelo menos é isso que aponta a tese de doutorado do geólogo gaúcho José Luiz Flores Machado, apresentada na Unisinos no primeiro semestre deste ano.
Graduado pela Ufrgs e com especialização em hidrogeologia pela Universidade de Madrid, Machado iniciou os estudos sobre o aqüífero no Rio Grande do Sul há dez anos, metade dos quais foram dedicados à tese de 237 páginas. Com base em informações de 181 poços artesianos, selecionados entre cerca de mil analisados, o pesquisador cruzou dados da análise química das águas e da vazão com estudos de campo sobre as formações geológicas, imagens de satélite e fotografias aéreas. E chegou à conclusão de que o subsolo gaúcho tem 60% da quantidade de água que se imaginava.
Mais do que isso. A pesquisa revela que pelo menos metade destas reservas não são apropriadas, na forma natural, para o consumo humano ou para o uso na agricultura e indústria, principalmente em função da salinidade. “Continua sendo bastante água. Mas aquela idéia inicial de que é o maior aqüífero do mundo, que vai abastecer toda a humanidade, que é tudo água doce, é irreal. Agora colocamos os pés no chão”, enfatiza Machado. Ele considera os resultados conclusivos, mas faz uma ressalva: “Não existe em geologia, ou nas ciências em geral, uma pesquisa definitiva”.
Na última semana, o geólogo concedeu uma entrevista à reportagem do ABC Domingo na biblioteca da unidade de Porto Alegre da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM) - Serviço Geológico do Brasil. Na autarquia, que está vinculada ao Ministério de Minas e Energia, ele exerce a função de hidrogeólogo. Conforme Machado, a Secretaria Estadual de Meio Ambiente está utilizando as informações da pesquisa para montar um mapa que servirá de base justamente para a autorização de novas perfurações de poços.


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Reflexões a mais de 200 km/h
Para o economista Paulo Roberto Tourucco Osório, a velocidade sobre duas rodas transcende o mero gosto pela aventura

Castor Becker Júnior
Um vôo em duas rodas até o Uruguai, numa viagem de três dias, que acabou se tornando de dois dias. Vôo mesmo, em velocidades quase sempre acima dos 150 quilômetros por hora, em motos de 750 e de 900 cilindradas, acompanhadas, de longe, por um carro. Todo mundo sabe que as velocidades em passeios de motos potentes são sempre altas, mas poucas vezes algum dos motociclistas assume isso publicamente. Diferente do economista Paulo Roberto Tourucco Osório, que esteve na última semana em Porto Alegre, autografando o livro O Portal – Homem e Moto Um Corpo Só, (Editora Age, 103 páginas, 18 reais).
O livro, inicialmente, narra uma viagem ocorrida em 2002, entre Porto Alegre e Punta Del Este, no Uruguai. Mas também fala “de uma viagem dentro da outra”, como classifica o autor. Osório descreve a sensação de se encontrar constantemente em altas velocidades, como uma tribo de outra dimensão, que em nosso mundo anda sobre duas rodas.
Misturam-se, assim, a vibração do corpo com a da máquina, à medida que o piloto deita o peito sobre o tanque de combustível para “entrar” na bolha localizada atrás do pequeno pára-brisa à frente do painel de instrumentos. “É uma coisa alucinante. E eu não fumei nada, pode acreditar”, brinca o autor, ao descrever sua sensação.
Osório, na época, pilotava uma Suzuki RF 900R e viajou junto com um primo e dois amigos. Era a moto dele e mais três Kawasakis, uma de 600 e duas de 700 cilindradas. Os dois amigos, Capeta e Trombada, além do primo Nando (o livro ficou nos apelidos, para preservar a identidade dos três) eram conhecidos como “raladores de coquinhos”.
“Coquinhos são os protetores plásticos pregados aos macacões de couro por poderosos velcros e servem para apoio contra o asfalto, protegendo o lado externo dos joelhos, quando são arrastados na estrada para realizar curvas em alta velocidade. Exatamente como nas pistas de corrida”, assinala Osório.
Segundo o relato do autor, apesar de terem ocorrido outras antes dessa, foi a viagem a Punta que lhe mostrou o que chamam de Portal – a sensação de transcender a própria existência em cima de uma máquina em alta velocidade, de compreender essa coisa de “tribo” de motociclistas, onde quem anda em duas rodas forma uma irmandade, mesmo sem nomes.
Até um vira-latas (Charles, aparentemente apaixonado por motos) virou companheiro de viagem pelas ruas de Punta Del Este antes de, como já ocorrera outras vezes, Osório decidir retornar antes da hora, enfrentando sozinho a estrada. É por essas e outras que ele gosta de ser chamado de o Guerreiro Solitário (The Lone Warrior, mesmo nome do grupo criado em Porto Alegre e que, de fixo, só tem ele mesmo).
“Tenho muitos amigos motociclistas dos quais não sei nem o nome, quanto mais o que fazem da vida. É uma coisa estranha. E a gente sempre se encontra por aí.” Uma experiência assim é relatada no livro, numa corrida em dupla entre Pelotas e São Lourenço, com máquinas a 220 quilômetros por hora, tendo como comunicação apenas a velocidade.
Osório, que agora mora no estado da Geórgia, nos Estados Unidos, conversou com o ABC Domingo sobre essa “viagem dentro da viagem”. Foi em Porto Alegre, na sessão de autógrafos de seu livro, na Saraiva Mega Store, no Shopping Praia de Belas


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Gestão ambiental na região ganha novos horizontes
Dados coletados pelos membros do Projeto Monalisa deverão apoiar estudos de novas tecnologias em saneamento

Novas tecnologias para tratamento de esgoto, processamento de lixo, aterro sanitário e até tratamento de água. Essas são algumas das opções de projetos de pesquisa que poderão ser implantados na região até o final do ano. O foco principal deverá ser definido na próxima semana, mas o certo é que os estudos ocorrerão paralelos com um projeto-piloto, ou seja, com aplicação prática imediata. A iniciativa faz parte do Programa de Núcleos Regionais da Rede Nacional de Capacitação e Extensão Tecnológica em Saneamento Ambiental, do Ministério da Ciência e Tecnologia e, aqui na região, ficará a cargo da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos).
O trabalho deverá se basear em dados fornecidos pelo Projeto Identificação dos Pontos de Impacto da Bacia Hidrográfica do Rio dos Sinos Retirada e Devolução de Água (Monalisa). Segundo a coordenadora do Monalisa dentro do Comitê de Gerenciamento da Bacia do Rio dos Sinos (Comitesinos), Viviane Nabinger, isso vai significar um desdobramento prático do projeto, mesmo com os levantamentos de campo dos impactos ambientais ainda em andamento (foram prorrogados até dezembro). “Desde o início, a proposta do Monalisa tem sido a de não ficar apenas na coleta de dados, mas propiciar ações corretivas”, enfatiza Viviane.
Segundo a coordenadora do Departamento de Gestão Ambiental da Unisinos, Luciana Paulo Gomes, “saneamento ambiental engloba abastecimento de água, destinação final de resíduos sólidos, tratamento de esgoto e drenagem urbana. “O que se vai fazer aqui é uma pesquisa, em um desses segmentos, que deverá correr paralelo a um projeto-piloto. Ou seja, vamos estar, ao mesmo tempo, gerando tecnologia, colocando-a em prática e qualificando pessoas (técnicos e operários) a fazê-la funcionar.”
VERBAS -Ao todo serão R$ 4 milhões, sendo R$ 2 milhões liberados imediatamente e a segunda metade em 2006. O recurso será dividido entre as regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste, Nordeste e Norte e sairá através do Fundo Setorial de Recursos Hídricos (CT Hidro), da Empresa Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). A definição de quem fará o que em cada região deve ocorrer nas próximas quarta e quinta-feira, na capital federal. Na região Sul, além da Unisinos, qualificaram-se também a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), a Universidade de Caxias do Sul (UCS) e a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
“Vamos lá participar de palestras e atividades práticas do CT Hidro, para a criação dos núcleos regionais”, explica Luciana. “Para a fase de habilitação, buscamos parecerias com a Companhia Municipal de Saneamento de Novo Hamburgo (Comusa), a Vega Engenharia, o Comitê de Gerenciamento da Bacia do Rio dos Sinos (Comitesinos) e a Fundação Estadual de Preservação Ambiental (Fepam)”, ressalta a coordenadora. Segundo ela, também deverá ser buscada uma participação dos municípios, a exemplo do que ocorre hoje com o Projeto Monalisa.


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Gaúchas sofrem mais com câncer de mama
Doença terá crescimento de 80% este ano no Estado, conforme estimativas do Inca

O Dia Estadual de Luta Contra o Câncer de Mama, amanhã, apesar de importante, não vai resolver sozinho os problemas ocasionados pela doença no Rio Grande do Sul. Afinal, o Estado teve 980 óbitos associados à patologia no ano de 2003, cerca de 10% das dez mil mortes que ocorrem a cada ano no País, conforme o Instituto Nacional de Câncer (Inca). Situação que tende a piorar, já que, para 2005, o Inca estima crescimento de 80% na incidência da doença entre as mulheres gaúchas em comparação aos dados de 2003, com 5.050 novos casos — para o Brasil, a estimativa é de mais 49.470 pacientes.
É unanimidade entre os especialistas que as melhores formas de combate à doença passam pelos cuidados com o corpo (fazer exercícios, ingerir alimentos mais naturais e evitar substâncias tóxicas, como o cigarro) e pela realização regular dos exames preventivos (mamografias, consultas a especialistas e auto-exame, quando a própria mulher verifica os seis através do toque).
Foram exatamente a realização dos exames e o rápido tratamento da patologia que permitiram à leopoldense Alda Figueiredo Teixeira, 56 anos, vencer a doença. “Foi de repente. Fiz a mamografia e o exame constatou alguma coisa. O médico me deu então duas alternativas: tirar todo o seio, e se livrar da doença, ou tirar parte dele, e correr o risco dela voltar. Claro que foi difícil, mas fiquei com a primeira opção”, conta ela.
Mãe de quatro homens e duas mulheres com idades entre 17 e 34 anos, a serviços-gerais do Colégio Sinodal recebeu apoio dos filhos e do esposo. “Quando soube que tinha a doença, parecia que tudo ia desabar. Mas, graças a Deus, venci esta barreira. Não podemos nos desesperar e deixar que o problema tome conta. Hoje levo uma vida normal”. Além da coragem, Alda usou outra arma fundamental para eliminar o câncer: a conscientização.
Para a presidente do Instituto da Mama do Rio Grande do Sul (Imama/RS), Maira Caleffi, é exatamente isso que falta no Estado, tanto entre as mulheres quanto entre os agentes do poder público. “Temos uma peculiaridade em relação ao resto do País. Não sabemos ainda porquê, mas os casos da doença no Estado não estão relacionados aos tumores mais agressivos. Por outro lado, são os que estão em estágio mais avançado. O que significa que falta conscientização das mulheres e dos governantes para esta altíssima mortalidade”, enfatiza a mastologista (especialista em patologias da mama).
A incidência do câncer de mama no Rio Grande do Sul o coloca em primeiro lugar no País em termos de óbitos relacionados à doença e em segundo em número de doentes, atrás apenas do Rio de Janeiro.


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Os livros invadem a Serra
Feira pode ser conferida ainda neste domingo na Praça das Comunicações, no Centro de Gramado

Hoje é o último dia para conferir a 9.ª Feira do Livro de Gramado, que ocorre na Praça das Comunicações, Centro da cidade. Estandes especialmente decorados, com 20 expositores, oferecem títulos variados para um público diverso. Na chuvosa tarde de sábado, turistas invadiram a feira, que tem como tema Em Busca de Novos Leitores. Os livreiros comercializam os produtos sob uma estrutura de lona especialmente montada para o evento.
A intenção da coordenação do evento é consolidar a Praça das Comunicações como o local da Feira do Livro e, por isso, foi montada uma programação literária e artística no espaço. Ontem à tarde, Drime Pantomima esteve presente com dramatização realizada por universitários da região e com mensagem resgatando valores no saguão. Em seguida, no Espaço Cultural, foi a vez do grupo de danças alemãs Miesbach. Hoje, entre 11 e 14 horas, Pantomima volta a fazer dramatização com música no saguão da feira e, às 14h30, ocorre a premiação do Concurso de Desenhos Banrisul no Espaço Cultural, com a presença do patrono da 9.ª Feira do Livro, Charles Kiefer.
CRIANÇAS - As crianças também encontram muitos atrativos na feira. A bruxa Filó interage com elas, em um trabalho coordenado por Jane Maria Michels. Um espaço especialmente elaborado para o público infantil proporciona desenhos, pinturas e muita diversão com o objetivo de incentivar a leitura.
Para o microempresário Arthur Linck Camargo, 45 anos, natural de Santa Catarina, a feira é um atrativo a mais na cidade. “Estou aqui desde sexta-feira e fico até segunda. A Feira do Livro foi uma descoberta muito boa. Não imaginava que teria, mas estou impressionado com a qualidade dos livros”, enfatiza. Para o livreiro José Nilson de Oliveira, além de possibilitar a comercialização, a feira tem outros méritos. “Só pelo fato de proporcionar um espaço para contato com livros é maravilhoso”, comenta Oliveira.
Juntamente com a Feira do Livro, a Praça das Comunicações sedia também a Feira de Artesanato. Após o encerramento do evento literário, as tendas de artesanato tomam conta do espaço, totalizando 50 expositores com os mais variados tipos de trabalhos, como miniaturas de móveis em ratan, caixas pintadas, tricô e peças de cerâmica. A artesã Cláudia Fulcher comemora a participação na feira. “Temos vendido bem nosso trabalho”, destaca.


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Trensurb sofre dois ataques em uma hora
Com os casos registrados ontem em Canoas e Porto Alegre, estações somam 17 roubos em 2005

Em um período de apenas uma hora e quinze minutos, duas estações da Trensurb — Petrobras, em Canoas, e São Pedro, em Porto Alegre — foram alvo de assaltos na tarde de ontem. O primeiro roubo ocorreu às 16h48, em Canoas, quando dois jovens brancos, armados e encapuzados, investiram contra as bilheterias e o cofre da estação. De acordo com a ocorrência, registrada na 1.ª Delegacia de Polícia da cidade, a dupla agiu de maneira semelhante a dos outros ataques no município. Com o assalto de ontem, Canoas já soma dez dos 17 roubos sofridos pela empresa este ano (veja quadro).
Os assaltantes se dirigiram à sala de operações, onde ficam as bilheterias, logo após ingressar na estação Petrobras. Sob ameaças de revólveres, renderam dois funcionários e passaram a recolher bilhetes e dinheiro dos guichês e do cofre — a estatal não divulgou a quantia roubada. Os criminosos fugiram pela BR-116 em duas motos. Na fuga pela passarela, um deles deixou cair a touca preta que usava. A peça foi recolhida e entregue à Polícia.
A contabilidade dos valores levados não havia sido encerrada na tarde de sábado quando os metroviários foram surpreendidos por um novo ataque, desta vez na estação São Pedro. Às 18h04, três homens armados e encapuzados se dirigiram às bilheterias, de modo semelhante ao assalto em Canoas, e levaram bilhetes e dinheiro. Na última quinta-feira, a estação São Luiz, também em Canoas, já havia sido alvo de ataque. Na oportunidade, a Brigada Militar prendeu um jovem e recuperou o malote roubado. No dia anterior, havia sido a vez da estação Luiz Pasteur, em Sapucaia do Sul, ser assaltada.
A onda de roubos às estações da Trensurb vem se intensificando nos últimos cinco anos, segundo análise divulgada pela empresa. De dois ataques registrados no ano de 2000, o número passou para 22 em todo o ano passado. A direção da Trensurb e a Brigada Militar vêm realizando avaliações mensais sobre estratégias de ações a serem desenvolvidas. A autarquia recebeu uma proposta de utilização do efetivo da reserva da BM para realizar a segurança das estações nas 24 horas do dia. O projeto está sendo analisado.


Geral

Flagrado com tijolo de maconha

Gramado - O hamburguense Laércio Falcão, 40 anos, foi preso no final da noite de sexta-feira em Gramado acusado de fornecer drogas na região serrana. Ele foi detido em uma barreira montada na RS-115 pela Polícia Civil de Canela, que contou com apoio da Brigada Militar gramadense. Conforme a Polícia, Falcão levava 1,6 quilo de maconha em um automóvel Voyage. Morador do bairro São José, Falcão foi autuado em flagrante por tráfico de entorpecentes e conduzido ao Presídio Estadual de Canela.
“As investigações continuam no sentido de descobrir a origem da droga. No momento, só podemos adiantar que é do Vale do Sinos, pois é de lá a quadrilha que vem abastecendo a Região das Hortênsias”, declarava ontem o chefe de investigação da Delegacia de Polícia de Canela, Jackson Castro. De acordo com ele, a prisão de Falcão é conseqüência de outra detenção, ocorrida na quinta-feira, quando Adilson Edson da Silva, 31, foi pego com 1,2 quilo de maconha. “Chegamos à informação de que drogas eram transportadas toda sexta-feira à noite e organizamos a operação.”
O hamburguense foi abordado na altura do bairro Várzea Grande, na RS-115, conduzindo o Voyage marrom placas IBF-9646. A maconha, conforme o chefe de investigação, estava embaixo do banco dianteiro do caroneiro, distribuída em um tijolo e um pedaço menor. Uma mulher que estava no carro com o suspeito foi liberada. “Constatamos que ela não tinha nada a ver com a história, estando somente de carona”, afirmou Castro.


Esporte

Meninas derrotam o Japão no Grand Prix
Decisão do título será na madrugada desta segunda-feira contra o time italiano

Sendai, Japão - As seleções do Brasil e Itália decidem o título do Grand Prix Feminino de Vôlei na madrugada desta segunda-feira, às 3h05, em Sendai, Japão. O Brasil defenderá o título de campeão do GP contra uma Itália que é a campeã do mundo (2002). Na rodada deste sábado, brasileiras e italianas venceram seus confrontos. A seleção do técnico José Roberto Guimarães derrotou o Japão por 3 sets a 1 (25/20, 25/27, 25/20 e 25/22). A Itália bateu Cuba também por 3 a 1 (25/18, 21/25, 32/30 e 25/15). As chinesas venceram as holandesas por 3 a 1, mas como vinham de duas derrotas não têm mais chances de brigar pelo título.
A atacante Paula Pequeno foi a maior marcadora do jogo contra o Japão, com 23 pontos. Após mandar no primeiro set, a seleção brasileira perdeu o controle no segundo, diante de um Japão rápido no ataque e ágil na defesa. O intervalo de dez minutos, reservado aos patrocinadores, entre o segundo e terceiro sets, serviu para a seleção se reencontrar e dominar o jogo até o fim.
Apesar da vitória, Zé Roberto não ficou totalmente satisfeito com o desempenho do time. “Poderia ter sido melhor, principalmente no bloqueio. A preparação para este confronto foi muito grande. Como levamos sufoco no primeiro jogo contra elas, na primeira etapa, treinamos mais em função do estilo delas, estudamos mais o time em vídeo. E era um duelo importante, de casa cheia, que nos colocaria em uma posição boa.”
Valeskinha, capitã e meio-de-rede da seleção brasileira, disse que é ruim quando o Brasil entra no ritmo do Japão. “Foi o que aconteceu no segundo set. Entramos na correria que não é o nosso estilo. Depois do intervalo mais longo, voltamos a imprimir o nosso ritmo e conquistamos mais uma importante vitória nesse GP.''
ESTRATÉGIA - A meio-de-rede Carol Gattaz, que vem liderando as estatísticas de bloqueio do Grand Prix desde a primeira etapa da competição, disse que para o Brasil o jogo das japonesas é o mais chato de todo o circuito mundial. “Saímos de quadra psicologicamente cansadas”, justifica. Observa que o Japão é um time muito difícil de se marcar. “Tem de se manter uma estratégia de jogo até o fim. Mas nesta fase já jogamos muito melhor contra o Japão do que naquela partida contra elas em Tóquio.”


Esporte

Brasil faz 3 a 0 nas Antilhas Holandesas

Joinville, Santa Catarina - Com uma vitória fácil nas duplas, a equipe brasileira garantiu neste sábado - com duas rodadas de antecipação - uma vaga na final do Grupo 2 Americano da Copa Davis. A dupla formada por André Sá/Flávio Saretta não encontrou nenhuma resistência; derrotou Raoul Behr/Alexander Blom por 3 sets 0 e marcou o terceiro ponto do Brasil no confronto contra as Antilhas Holandesas, pela terceira divisão. Os brasileiros haviam feito 2 a 0 no primeiro dia do confronto, com as vitórias de Ricardo Mello e Gustavo Kuerten.
A vitória foi sacramentada com o terceiro ponto na partida de duplas, quando Sá e Saretta venceram com parciais de 6/1, 6/1 e 6/4. Neste domingo, ocorrem os dois últimos jogos de simples, mas os confrontos servirão apenas para cumprimento de tabela. Hoje, a partir das 10 horas, Ricardo Mello enfrenta Alexander Blom e, na seqüência, Guga pega David Josepa.
O Brasil vai enfrentar na final do Grupo 2, o vencedor do confronto entre Uruguai e República Dominicana - que será encerrado apenas neste domingo. Se vencer a final, garante o acesso à Segunda Divisão da Copa Davis.


Esporte

O homem forte da ginástica artística
Oleg Ostapenko revolucionou o esporte no Brasil e fez Daiane dos Santos ser a 1a brasileira a ganhar medalha em mundial

São Paulo - Esporte apagado no Brasil há poucos anos, a ginástica artística passou a ser conhecida do público e tem até ídolo como Daiane dos Santos, que não pode andar na rua sem ser parada. Por trás desse sucesso está o sisudo ucraniano Oleg Ostapenko, técnico que chegou ao Brasil em abril de 2001, para revolucionar o esporte. É ele também o responsável pela façanha de Daiane, a primeira brasileira a batizar uma acrobacia de solo - o duplo twist carpado, de nota máxima Super E - com o nome Dos Santos e a ganhar uma medalha de ouro no Mundial, em Anahein (EUA), 2003.
Oleg Ostapenko, 60 anos (está há 35 na ginástica), não gosta de falar com a imprensa. Em seu país, esse contato freqüente com a mídia não é comum, ele tem dificuldades com o português porque fala russo, ele é fechado, mas não é bravo.O treinador nasceu na Rússia, em Guabarra, mudou para a Ucrânia, onde morou a maior parte de sua vida. “Sou ucraniano, mas tenho passaporte russo. Falo apenas um pouquinho de português” - algumas gírias, inclusive, ensinadas pelas meninas da equipe de 15 ginastas com as quais trabalha no Centro de Treinamento de Curitiba.
Terminada a Olimpíada de Atenas, no ano passado, Ostapenko recebeu convites da China e da Rússia, mas continuou no Brasil - seu salário mensal, de US$ 5 mil atualmente, vem do Solidariedade Olímpica, programa do Comitê Olímpico Internacional. “Após o primeiro contrato, conversei com o Nuzman (Carlos Arthur Nuzman, presidente do Comitê Olímpico Brasileiro) e achei que poderia dar seqüência ao meu trabalho. E a proposta financeira do Brasil foi a melhor.”
A motivação do técnico para vir morar no Brasil foi sua mulher Nadia, que veio a convite da primeira ucraniana a integrar a comissão técnica da seleção, Iryna Ilyashenko (chegou em 1999). A comissão técnica da seleção permanente também tem Vladimir Cheiko, russo que está no País há mais tempo e trabalhava com a equipe de ginástica de Guarulhos. Os salários dos demais integrantes da comissão técnica são pagos com recursos da Lei Agnelo Piva à Confederação Brasileira de Ginástica.
HÁBITOS - Ostapenko pediu para morar perto do Centro de Treinamento de Curitiba, mas não se adaptou ao bairro Capão da Embuia, periferia pobre da cidade. Pediu para voltar para o Centro, até porque ficou sócio do Círculo Militar e gosta de freqüentar a sauna. Segundo sua mulher, Nadia, Ostapenko não teve dificuldade de se adaptar aos hábitos brasileiros, nem mesmo a comida. “Gosta de tudo o que é bom: batata-frita, carne, peixe, ravioli. Não tenho problema para cozinhar para ele.”
Assim que chegou ao Brasil gostou do temperamento de Daiane. “Me surpreendeu o jeito dela. Disse que não sabia que aqui havia tanta qualidade, tanta potencialidade nas ginastas.” A competência de Oleg é comprovada, não só pela melhoria significativa dos resultados do Brasil. O técnico tem seis medalhas olímpicas, quatro de ouro. Tetiana Lysenko ficou com dois ouros, por equipe (pela União Soviética) e na trave, e ainda um bronze no salto sobre o cavalo, nos Jogos de Barcelona (1992). Lilia Podkopayeva, foi ouro individual geral e no solo e prata na trave, na Olimpíada de Atlanta (1996). Ostapenko também treinou Vyctoria Karpenko, medalha de prata individual geral no Mundial de Tianjin, China (1999).


Esporte

Grêmio vence o Sport
O placar de 1 a 0 deu ao time gaúcho a quinta posição na tabela da Série B do Brasileirão

Recife - Uma vitória merecida. Após um primeiro tempo apático, o Grêmio adotou uma postura completamente diferente na etapa complementar e venceu o Sport Recife por 1 a 0, na tarde de ontem, no Estádio da Ilha do Retiro. A soma de mais três pontos deu ao Grêmio a quinta colocação na tabela de classificação do Campeonato Brasileiro Série B, com 21 pontos. O próximo compromisso tricolor será no domingo que vem, diante do União Barbarense, no Estádio Antônio Guimarães, em Santa Bárbara D'Oeste, em São Paulo.
Após um primeiro tempo desastroso para o tricolor que teve apenas aos 39min seu primeiro chute a gol, a segunda etapa foi surpreendente. O Grêmio voltou com uma postura totalmente diferente. O técnico Mano Menezes tirou de campo Samuel e colocou Pedro Júnior, liberando Marcel para o ataque. O resultado da modificação veio logo aos dois minutos, quando Raone fez um belo gol, que assegurou a vitória tricolor. Marcel cobrou escanteio, Domingos cabeceou para trás e Raone, de pé esquerdo, acertou o ângulo direito do goleiro Magrão. Na pressão, o Grêmio deixou de ampliar o escore duas vezes seguidas, com Pedro Júnior aos 3 e 4 min. Se impondo no jogo, aos 16 min, em um contra-ataque do Grêmio, Pedro Júnior driblou até o goleiro Magrão, mas não conseguiu acertar o chute em gol. O Sport, por sua vez, sem organização tática e nervoso, sofria a pressão de sua torcida que vaiava o time. Em nova chance gremista, Marcel fez um levantamento pela direita para dentro da área, Pedro Júnior aproveitou o lance, mas o chute saiu mascado.
Quase no final da partida, o goleiro tricolor Galatto salvou o Grêmio de ceder o empate. Aos 41min, através de um cruzamento da esquerda, Adriano Chuva cabeceou firme, a queima-roupa, exigindo grande defesa de Galatto. Já nos descontos, Pedro Júnior deixou de marcar aos 47min, e Escalona aos 48. Neste domingo, a 13.ª rodada da Série B se encerra com o confronto entre Santo André e Náutico, às 16 horas.
JUNIORES - Pelo Campeonato Estadual de Juniores, o Grêmio sagrou-se campeão na tarde de ontem, após cinco anos. O título veio com uma vitória por 4 a 2, sobre o São José, de Porto Alegre, no Olímpico.


Esporte

Inter pega Juventude e reforça o ataque
Muricy Ramalho muda dois setores do time para o jogo que se inicia às 18h10

Porto Alegre - A ausência do volante Tinga, suspenso, vai provocar mudanças em dois setores do time, o meio-de-campo e o ataque, e tornar o Inter mais ofensivo neste domingo, às 18h10, contra o Juventude, no Estádio Beira-Rio. Em vez de escalar um jogador de características semelhantes às de Tinga, o técnico Muricy Ramalho vai colocar o atacante Rafael Sobis no meio-campo, com a expectativa de que ele possa marcar os volantes adversários e também avançar para se juntar a Fernandão e Iarley quando o time estiver com a posse da bola. Ontem, a direção do Inter acertou o empréstimo do atacante Diego ao Santos pelo valor de R$ 2 milhões.
A estratégia é ter uma formação ofensiva, capaz de aproveitar o fator local e o entusiasmo da torcida, para não dar chance a um adversário que também disputa as primeiras posições do campeonato. O colorado, que busca a quarta vitória consecutiva, começou a 12.ª rodada do Campeonato Brasileiro da Série A como terceiro colocado, com 22 pontos.
O time do técnico Muricy Ramalho faz hoje a primeira de duas partidas seguidas no Beira-Rio. A próxima será na quarta-feira, contra o Goiás. O Inter quer vencer estes dois jogos para assumir o primeiro lugar do Brasileirão.
TÉCNICO - Na estréia do técnico Dorival Júnior, que substitui Ivo Wortmann — se transferiu para o Dínamo, de Moscou —, o Juventude enfrenta o Inter, esperando manter o padrão de jogo. O técnico terá todo o grupo de jogadores à disposição, o que ocorreu poucas vezes com Ivo neste Brasileirão.
O ala-direito Magal, que cumpriu suspensão; o zagueiro Naldo, que ficou fora de três jogos devido a uma mal-sucedida tentativa de romper contrato com o RS Futebol, dono do seu vínculo; e o meia e atacante William, recuperado de lesão, retornam ao time. O atacante Túlio ficará no banco de reservas, assim como o meia Caíco, contratado há cerca de três semanas. Dorival Júnior, embora seja adepto do esquema 4-4-2, resolveu manter o 3-5-2 utilizado por Ivo durante mais de um ano no clube. O Juventude soma 19 pontos. Confira os preços dos ingressos: arquibancadas populares - 5 reais; arquibancada inferior - 10 reais; arquibancada superior - 15 reais; acompanhante de sócio - 15 reais; cadeira - 30 reais.


Pais

Políticos do PSDB também envolvidos
Informações sobre pacote de documentos de Marcos Valério são da revista Época

Brasília - Um pacote de documentos em poder do publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza, sobre operações bancárias dos últimos sete anos, mostra que muitos outros políticos foram beneficiados por contribuições remetidas por sua agência de publicidade SMPB — e desta vez aparecem políticos de vários outros partidos, além do PT. Um desses depósitos, por exemplo, foi para o deputado mineiro Custódio de Mattos (PSDB), ex-líder do PSDB na Câmara, que foi agraciado com dois pagamentos — um de R$ 20 mil e outro de R$ 5 mil, que lhe chegaram pelo Banco Rural, em 22 de outubro de 1998. Um segundo recibo, no valor de R$ 100 mil, foi para a conta de um deputado do PP mineiro, Romel Anízio. Um terceiro teve como destinatário outro deputado do PP, Gil Pereira (MG), que ficou com R$ 25 mil. Nenhum desses políticos declarou, em suas prestações de contas à Justiça Eleitoral, os valores recebidos de Valério.
eleições - As informações estão em reportagem da revista Época que está circulando nas bancas. Segundo a revista, as transferências aconteceram durante 13 dias, entre 26 de setembro e 8 de outubro de 1998, exatamente na linha de chegada das eleições parlamentares daquele ano. Feitas as contas, as contribuições — todas partidas da agência SMPB — totalizaram R$ 10,6 milhões. Desse valor, o PT teria recebido R$ 850 mil, em quatro pagamentos. Quem ficou com a maior cota, no entanto, foi o PFL, que recebeu R$ 1,3 milhão dividido entre vários candidatos. Ao PSDB couberam, prossegue a denúncia, R$ 647 mil.
A revelação sobre essas contribuições coincide com a declaração feita por Marcos Valério, em conversa com o procurador-geral da República, de que ele teria mais a dizer sobre os milhões de saíram de suas empresas para políticos e que havia muito mais gente envolvida além de petistas.


Mundo

Terrorista suicida mata 56 civis ao sul de Bagdá

Bagdá - Um terrorista suicida detonou ontem uma bomba que carregava junto ao corpo matando 56 pessoas e feriu outras 90, informou o Ministério do Interior. O terrorista suicida juntou-se a uma multidão de xiitas e detonou o explosivo, que carregava entre suas roupas, próximo ao posto de gasolina de El Messeb, localidade situada a cerca de 60 quilômetros ao sul de Bagdá.
Um porta-voz do Ministério do Interior iraquiano qualificou o atentado “como a maior ação terrorista contra civis” cometido até o momento em seu país. O posto de gasolina fica próximo a uma mesquita xiita onde estava reunida uma multidão de fiéis para a oração do entardecer. Aparentemente, o terrorista suicida detonou seu explosivo junto a um caminhão-tanque que se aproximava para reabastecer nesse momento o posto de gasolina. A explosão provocou um incêndio, que atingiu várias casas próximas, segundo várias testemunhas.
O atentado se soma a outra série de ações violentas registradas ontem no Iraque nas quais morreram mais de vinte pessoas e mais de quarenta ficaram feridas, o mesmo dia no qual se soube que 11 soldados americanos são acusados pelo comando militar de maltratar detidos.
OUTROS ATAQUES - O ataque mais sangrento, em que dez pessoas morreram e outras 20 ficaram feridas, foi cometido por um suicida que jogou seu carro-bomba contra um posto de controle misto do exército e da polícia iraquiana, na localidade de Al Eskanderiya, cerca de 60 quilômetros ao sul de Bagdá, informaram fontes policiais.
Poucas horas antes, em Mossul, cerca de 450 quilômetros ao norte de Bagdá, cinco agentes policiais morreram quando um suicida detonou a carga explosiva dentro de uma delegacia.
O terceiro incidente ocorreu no bairro de Al-Daura, onde cinco pessoas morreram — dois membros das forças antiterroristas iraquianos e três civis — pela explosão de um carro-bomba dirigido por um suicida. (EFE)


Mundo

Furacão Emily ameaça a Jamaica

Miami, EUA - O furacão Emily voltou ontem a ganhar força e, com ventos de 230 km/h, foi classificado de “extremamente perigoso” ao se aproximar do território jamaicano, que há uma semana sofreu com a passagem do fenômeno Dennis. No boletim das 12 horas (Brasília), o Centro Nacional de Furacões (CNH), com sede em Miami, informou que o Emily foi elevado à categoria 4 na escala Saffir-Simpson (que vai até cinco), após ter atingido a categoria 2 na sexta-feira, com ventos de 165 km/h. O CNH afirmou que o Emily, que já provocou a morte de uma pessoa em Granada e danos em cerca de 200 casas na ilha vizinha de Carriacou, segue em direção à Jamaica. (EFE)


Mundo

Polícia identifica os 4 homens-bomba
Scotland Yard divulga imagens dos quatro terroristas e confirma identidades

Londres - A polícia britânica divulgou neste sábado novas imagens dos supostos autores dos atentados do dia 7 em Londres e confirmou pela primeira vez a identidade dos quatro supostos terroristas.
No vídeo, aparecem os quatro indivíduos na estação de trem de Luton (norte de Londres), quando viajariam à capital britânica para cometer o atentado. Em fila e perto de entrar na estação de trem, é possível ver Hasib Hussain, Germaine Lindsay, com um boné escuro, Mohammad Sidique Khan, com um claro, e por último Shehzad Tanweer.
As imagens foram captadas por uma câmera de vigilância de circuito fechado às 7h21 (3h21 de Brasília), uma hora e meia antes de explodirem, quase de forma simultânea, as primeiras três bombas em três trens do metrô.
Trens - Os quatro terroristas suicidas chegaram de trem de Luton à estação de King's Cross, no norte da cidade, e ali se separaram. Três deles subiram nos trens contra os que iam atentar, enquanto Hussain detonou os explosivos que levava em sua mochila a bordo do ônibus da linha 30.
Paralelamente, a Polícia confirmou ontem as identidades do terceiro e do quarto suspeitos do massacre, Germaine Lindsay, de 19 anos e procedência jamaicana, e de Mohammad Sidique Khan, de 30 anos. Os quatro tinham nacionalidade britânica. (EFE)


17/07/05